Review de Glory – o regresso da Princesa do Pop

Boa dia, boa tarde ou boa noite. Como preferirem.
Tal como prometido, depois de ter feito a minha primeira review, voltei com mais outra review – desta vez Glory de Britney Spears  um dos álbuns pop mais aguardados do ano.

A Princesa do Pop dispensa apresentações. Tendo um dos álbuns mais bem sucedidos de sempre – …Baby One More Time – Britney Spears depressa se tornou num dos maiores ícones da música pop, tendo deixado a sua maior marca no final dos anos 90 e no início do novo milénio ao popularizar um som diferente do eurodance, estilo este que se começara a espalhar em território norte-americano na segunda metade da década de 90. Em vez de usar a batida e som já bastante popularizados do eurodance, Britney entrou no mercado com um som mais “infantil”, sensual e doce, sendo uma das responsáveis pelo início da popularização do teen pop e do bubblegum pop nesta época.

Para além da sonoridade, a identidade visual de Britney depressa se destacou no mercado da música popular – o seu ar, sensual e inocente ao mesmo tempo, captava a atenção do público consumidor de música – o que contribuiu para a sua consolidação no cenário musical.

Após muitos altos e baixos, Britney esta de volta com Glory – segundo a própria, representa o início de uma nova era.
(In)Felizmente, o álbum vazou na Internet antes da sua data de lançamento oficial, o que seria de esperar.  Sendo assim, eu decidi aproveitar a oportunidade para o ouvir em “primeira mão”.

Sobre o álbum em si

 Glory não é um álbum típico de dance pop. Ao contrário de Britney Jean, Glory aproxima-se mais do R&B e do soft pop em contraste com o dance e electro pop do álbum anterior. Foi-me particularmente difícil analisar o álbum como um todo em vez de “quase faixa-a-faixa” uma vez que quase todas têm as suas peculiaridades – sejam boas ou más – e não quis deixar de comentar sobre cada uma delas.

O álbum começa com a sugestiva “Invitation” – subjetivamente, pode ser interpretada como sendo um convite a algo que Britney nos pretende apresentar ao longo do álbum. Infelizmente não é uma faixa de todo muito consistente. O instrumental em si é relativamente bom, no entanto, os vocais de Britney foram editados de forma péssima em algumas partes da faixa, não apresentando uma sonoridade natural. Em vez disso, é claramente notória a enorme “quantidade” de autotune colocada por cima da voz de Britney.

A segunda faixa do álbum e também lead single,”Make Me”, sofre um pouco dos mesmos males da primeira faixa, no entanto a uma escala muito menor. A sonoridade do instrumental é muito mais consistente e prazerosa de se ouvir.

Já “Private Show” apresenta-nos uma sonoridade mais simples, “acústica” e próxima do rock/country onde a voz humana é usada como parte do instrumental. Tal como a primeira faixa, mas desta vez de forma bastante pior, os vocais da Britney foram pessimamente – repito, pessimamente – editados. Apesar do conceito interessante, “Private Show” pouco passa para além de um conjunto de vocais que soam tanto meio tom acima como meio tom abaixo do ideal, o que não é de todo muito confortável para os ouvidos, fazendo com que seja dispensável no álbum. Se há uma faixa no álbum que mais maltratada foi, esta é a tal.

A partir de “Man On The Moon”, Glory realmente começa a “andar”. Apesar de novamente a voz não soar natural, os instrumentais convencem-nos a ouvir as faixas até ao final uma vez que, ao contrário da maioria do catálogo de Britney, Glory apresenta-nos um conjunto de elementos sonoros mais orgânicos e menos computorizados, apesar de haver ligeiras quebras desta “naturalidade” em todas as faixas como por exemplo “Clumsy”  – em que o refrão é eletrónica pura, em contraste com a introdução mais minimalista – ou “Do You Wanna Come Over?”. É precisamente nesta faixa que se encontra possivelmente o ponto alto do álbum. Para além dos vocais excelentemente editados quando comparados com as faixas anteriores, a batida e atmosfera lembram músicas de álbuns anteriores como Blackout ou In The Zone. Esta é a faixa com o maior potencial para ser um verdadeiro hit single.

Continuando a viagem, o álbum continua em ritmo lento misturando sons orgânicos com eletrónica e R&B. A guitarra em “Just Like Me” prende a atenção a qualquer um, fazendo com que seja perdoável uma nota mais “sharp” do que o ideal aqui e ali, já “Love Me Down” é detentora de um refrão simples mas viciante.

A próxima grande paragem – num bom sentido – neste álbum é “Hard To Forget Ya”. Acreditem, esta faixa realmente tem algo que a destaca em relação a todas as outras neste álbum.”What You Need”, a última faixa da versão Standard do álbum, resume-se em ser aquilo que basicamente “Private Show” deveria ter sido – uma faixa com o elemento surpresa mas simples e audível ao mesmo tempo.

A partir daqui entramos em território Deluxe com as faixas “Better”, “Change Your Mind (No Seas Cortes), “Liar”, “If I’m Dancing” e “Coupure Électrique”.
No geral, estas não são más, sendo algumas viciantes até – “Better” é uma faixa dance pop excelentemente produzida, em “Change Your Mind” Britney solta um pouco de espanhol aqui e ali, “Liar” surpreende com a influência country, “If I’m Dancing” apresenta-nos um ritmo bastante mexido e uma combinação sonora bastante interessante, já “Coupure Életctrique” é uma faixa cantada totalmente em francês. No entanto, é uma faixa bastante fraca e que não acrescenta nada ao álbum a não ser mais um par de minutos de vocais mal editados e um ritmo lento pouco apelativo.

 

Considerações finais

Pontos positivos

  • Sonoridade mais acústica e minimalista em comparação com os álbuns anteriores;
  • Alguns dos melhores instrumentais desde Blackout ou In The Zone;
  • Influências ecléticas;  

Pontos negativos

  • Vocais mal editados na maioria das faixas;
  • Potenciais boas faixas foram arruinadas pela fraca produção;
  • Pouco destaque dado aos elementos acústicos em certas faixas como “Clumsy” ou “Love Me Down”. Elementos esses que se destacam positivamente no álbum.

 

NOTA FINAL – 6,7/10

Quando comparado com Britney Jean, Glory demonstra ser em muitos aspetos um grande avanço de facto. Apesar disto, não é de todo um álbum que se destacará a longo prazo para quem não é fã, salvo uma faixa ou outra. Alguns dos conceitos interessantes foram completamente arruinados pela produção fraca, o que é de facto uma pena.

No final de contas, Glory não é um mau álbum, mas não faz jus ao nome que lhe foi atribuído.

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