Review de Joanne

Olá a todos! Passados poucos dias após a minha última review, voltei para mais uma. Desta vez irei comentar sobre o mais recente álbum de Lady Gaga intitulado “Joanne”, em homenagem à sua falecida tia.
Apesar de Gaga nunca ter conhecido pessoalmente Joanne, ela sempre sentiu uma conexão emocional e espiritual com a mesma, tendo já nos anos anteriores dedicado vários dos seus trabalhos – nos créditos do The Fame é possível ver, entre as homenagens à Madonna e David Bowie, a referência a Joanne. Desta vez Gaga decidiu levar a sua admiração a um nível superior.

A título de curiosidade – pelo facto de Joanne ser o segundo nome da artista em questão, o material que nos será apresentado será seguramente de teor mais pessoal que os seus álbuns anteriores.

Três anos após o lançamento do seu último álbum de originais, ARTPOP, Gaga decidiu optar por uma imagem mais minimalista tanto a nível sonoro como visual, deixando o exagero visual de ARTPOP e a complexidade sonora e as letras de Born This Way para trás. Começando pela capa, que contrasta imenso com qualquer outra da cantora, não se vê qualquer menção espacial/temporal na mesma. Tudo parece indicar-nos para um álbum de teor pessoal com influências tradicionalistas e que não se preocupa em parecer futurista.

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Sobre o álbum em si

Joanne começa com Diamond Heart, uma faixa que oscila entre o pop e o rock alternativo com um pouco de sintetizadores pelo meio. Uma faixa bastante consistente, tanto arrebatadora, libertadora, acessível, melancólica e alegre ao mesmo tempo que nos abre o apetite para o que vem aí. De seguida entra no cenário A-YO, num ritmo bastante contagiante com influências country e pop. A partir daqui sabe-se logo o porquê da escolha desta capa para o álbum.
A-YO não é de todo terreno inexplorado para Gaga, quem ouviu o ARTPOP certamente irá lembrar-se de MANiCURE por uns instantes, só que A-YO vai um pouco mais longe e acerta numa fórmula mais consistente e prazerosa de se ouvir.

Em terceiro lugar temos Joanne, que nos envolve num ambiente tradicionalista e folk. Esta é, seguramente, uma das faixas mais pessoais e ao mesmo tempo minimalistas alguma vez escritas por Gaga. A performance vocal é também bastante emocional e crua, o que nos faz esquecer por uns momentos que Diamond Heart e A-YO sequer existem.
Retomando a um registo mais mexido temos John Wayne. Aqui os elementos “diversão” “rockabilly” e uma pitada de “contemporaneidade” misturam-se para criar um ambiente… interessante diga-se assim.

Apanhando qualquer um de surpresa entra Dancin’ in Circles. O ambiente norte americano tradicional parece ficar para segundo plano, a batida remete mais para música sul americana do que propriamente para a primeira. Temos até um pequeno gosto de música tradicional indiana na segunda metade da faixa. Tudo isto faz desta uma das melhores e mais surpreendentes músicas alguma vez feitas por Lady Gaga.

Em sexto lugar temos a já conhecida Perfect Illusion, não sendo má mas também não sendo das melhores de Gaga, não ficará na memória durante muito tempo exceto talvez pela mudança de nota na segunda metade – algo que se via bastante nos anos 80 e 90, talvez por isso poderá soar um pouco nostálgica.

A partir daqui, Joanne vai alternando consistentemente entre o calmo e o animado. Million Reasons vem a seguir, num clima bastante emotivo mas sem acrescentar o elemento surpresa nesta viagem, Sinner’s Prayer retoma o som folk e de seguida vem aquela que é provavelmente a faixa mais fraca do álbum –Come To Mama. Felizmente Hey Girl surge em cena para levantar o forninho de novo. Esta é a única faixa que conta com uma participação, Florence Welch junta-se a Gaga e o resultado é uma combinação bastante harmoniosa, que dá ainda mais vida a um instrumental que por si só sobressai em relação ao que nos foi apresentado anteriormente.
Para finalizar a versão standard do álbum temos Angel Down- um momento de magia, emoção, enfim… Uma excelente forma de fechar a versão standard de Joanne!

Como faixas deluxe temos Grigio Girls, Just Another Day e Angel Down – Work Tape. Nenhuma delas acrescenta algo de imperdível, tornando-se apenas mais um par de minutos que prolongam o final do álbum sem fazer com que este seja tão bom quanto a versão standard.

Considerações finais

Gaga de facto decidiu optar pelo caminho que desde há alguns anos tinha dado sinais de simpatizar. Deixando completamente os exageros para trás, ficou provado que Gaga consegue produzir um álbum sem recurso ao mesmo dancepop de sempre ou seguindo exclusivamente as tendências do mercado. Joanne não é um álbum que irá agradar a todos os fãs uma vez que, da mesma forma que Born This Way ou se calhar até de forma mais radical, o caminho escolhido para esta fase da sua carreira não seguiu as mesmas pegadas dos trabalhos anteriores.
Com Joanne, Stefani demonstrou ser mais Lady e menos Gaga.

Pontos fortes

  • Nova direção sonora, incluindo influências de folk e rock;
  • Imagem mais “limpa”;
  • Melhor performance vocal de todos os álbuns já lançados por Gaga;
  • Letras menos superficiais que o ARTPOP e ao mesmo tempo não tão complexas como Born This Way;
  • Boa alternância entre as faixas – não somos “massacrados” com 5 faixas mexidas de forma contínua nem com 6 faixas “melancólicas” seguidas.
  • Destaque para Diamond Heart, Joanne, John Wayne e Dancin in Circles

Pontos fracos

  • Come To Mama parece um pouco fora do lugar neste álbum, apesar de não ser má de todo.
  • Alguém lembra-se de Perfect Illusion? Pois…
  • As faixas da versão deluxe não são propriamente os minutos mais consistentes ou apelativos do álbum.
  • Quem esperava um álbum puramente pop, vai sair desapontado.

Nota final: 8,5 de 10.

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