O que nunca foi dito…

Este não é apenas mais um post. Este é aquele post em que eu tento, de alguma forma, dizer tudo o que esta preso dentro de mim já há muito tempo mas que nunca tive coragem de o fazer seja de que maneira fosse. Não é algo que eu esperava publicar aqui, ou em qualquer outro lugar apesar de já ter tentado escrever algo deste tipo há uns anos, mas nunca passou de um documento Word que mais tarde eliminaria.
Em suma, este é o meu primeiro e provavelmente único post que vai retratar o meu processo de catarse.

Neste momento não estou a sentir qualquer emoção negativa, qualquer constrangimento ou algo do género, sinto apenas uma enorme dúvida a pairar no ar. Pergunto-me se o que aconteceu comigo ao longo deste tempo era suposto acontecer, se era normal acontecer, se voltará a acontecer, se gostar de alguém que mal conheço de uma forma tão profunda e envolvente foi obra da minha possível estupidez ou se foi apenas um sinal de alguma coisa, seja lá o que for. Pergunto-me também como é que nunca consegui arranjar coragem para tentar uma abordagem mais direta tanto com a pessoa em questão como comigo mesmo. Como é que eu nunca me olhei no espelho e pensei “Vais ter de ser franco com ele, contigo mesmo, com os que te rodeiam, antes que essa emoção forte te traga um enorme desgosto”? “Vais ter de abandonar o teu papel de passividade romântica e encarar a realidade”…

Talvez eu tenha tentado uma dessas abordagens, ainda que à distância, mas não correu como planeado. A pessoa que eu imaginava muito mais acessível naquele momento pareceu-me bastante fria, distante, com uma certa mania de seletividade compulsiva, uma série de más impressões que subitamente vieram à tona durante aquela primeira conversa, ou tentativa de conversa, ainda que não correspondessem de todo à realidade. Ainda assim não fui logo abaixo, mais tarde a abordagem foi muito mais direta, cara-a-cara. Apesar de a conversa não ter surgido da forma mais natural possível, foi arrastando-se por uns minutos – até ao minuto em que realmente não poderia ser mais prolongada. As más impressões desvaneceram-se de novo, o meu espírito sentiu-se imensamente leve, a esperança voltou em força.
Esperança no quê mesmo? De vir a ter algo sério com alguém que não me conhece para todos os efeitos? De conseguir, ao menos, construir uma amizade baseada em interesses comuns que estavam adormecidos em mim? Talvez tenha sido isto tudo junto, mas o facto é que aquele dia, aquela conversa arrastada em particular, não passou apenas disso – apenas me fez construir uma ilusão ainda maior na minha mente, a ilusão de que o mundo era cor-de-rosa e de que o meu caso ainda poderia vir a ter salvação num futuro próximo, de que aquele tal rapaz em pouco tempo significaria tudo para mim e que estaria do meu lado, naquela que eu pensava ser apenas a sequela da pior fase da minha vida. Ironicamente, agora que olho para trás, eu olho para aquele ano letivo em particular como o melhor até hoje. Esta grande ilusão apesar de me ter trazido imenso sofrimento, também me trouxe das melhores emoções que alguma vez senti, uma emoção tão forte que eu era capaz de ficar horas sozinho à entrada da escola à espera que a pessoa que eu tanto desejava saísse e tentar, pelo menos tentar, conseguir algum tipo de contato, conversa, o que quer que fosse.

Talvez a minha “salvação” tenha sempre existido e eu nunca dei por ela, ou fingi que não queria dar conta. Se a minha posição tivesse sido muito mais ativa, se só o facto de olhar para a tal pessoa não me afetasse até a minha forma natural de falar, olhar… Se o facto de saber que essa pessoa poderia estar a olhar para mim não me deixasse num estado de nervosismo e ansiedade totais, quem sabe o que poderia ter acontecido? Teria avançado ou teria ficado tudo igual? Neste momento pouco ou nada importa… Ou então a minha salvação seria simplesmente tentar esquecer tudo isto e focar-me noutra coisa, noutra pessoa, enfim.
Esta segunda opção foi aquela que eu sempre quis manter afastada de mim, não queria sequer pensar na hipótese de “abandonar” a pessoa que remotamente me trouxe a melhor sensação da minha vida. A cada fim de ano letivo a primeira coisa que eu pensava era “será que o vou ver de novo no próximo ano?”. Eu não estava preparado para um “não” mas sabia que ele poderia chegar mais cedo ou mais tarde, mas ainda assim recusava-me a acreditar. A ilusão apenas continuava.

Anos mais tarde praticamente tudo em minha volta mudou. Já não estudo na mesma cidade, uma parte do meu grupo de amigos seguiu caminhos diferentes, houve muitas reviravoltas, uma fase depressiva à custa de uma separação emocional muito brusca e do ambiente doméstico tenso e, também, a entrada para a Universidade de Coimbra.

Nesta altura o sentimento, que eu pensava estar a desaparecer, acordou a partir do momento em que soube que afinal esse tal rapaz também veio estudar para Coimbra. Mais uma vez pergunto: será que isto poderia significar alguma coisa?
Na altura eu só pensava que o ideal seria nunca mais o ver na vida, mais cedo ou mais tarde iria esquecê-lo provavelmente, mas ironicamente isso não aconteceu. Não foram poucas as vezes em que o meu último pensamento antes de adormecer seria a cara da pessoa, um possível encontro, um bom momento passado juntos, uma saída, entre outras coisas. A ideia de estar de novo próximo dele e de, tecnicamente, poder fazer com que acontecesse algo começou a ocupar a minha mente novamente.

No entanto, apesar de os anos terem passado e de tudo à minha volta ter mudado, houve algo que não mudou – a minha incapacidade de reagir caso acontecesse de facto alguma coisa, a minha extrema timidez ao ponto de numa tarde nem ter coragem de perguntar “posso levar esta cadeira para aquela mesa?”. Só de imaginar na hipótese de o encarar um dia já me deixa estático, incapacitado de ter qualquer tipo de reação decente, que cause uma boa impressão.

Por quanto tempo mais é suposto toda esta situação se prolongar? Quanto tempo vai demorar até que o seu nome deixei de exercer qualquer efeito em mim? Quanto tempo vai demorar até que ele seja apenas uma memória distante? Porque é que uma pessoa me afeta assim tanto como se fosse uma parte essencial da minha vida? Porque é que tudo parece tão próximo e ao mesmo tempo tão distante? Espero conseguir responder a tudo isto em breve.

Não sei quanto tempo mais isto irá durar, não sei se este texto vai de facto chegar à pessoa que eu quero fazer chegar, se vai ser bem recebido ou não, mas de momento não quero saber. Não sei quantas palavras seriam suficientes para expressar tudo o que vai na minha mente, tudo o que eu desejava e o que não irá acontecer mas não me vou prolongar mais.

Até um dia, quem sabe…

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