Review de I See You

Olá a todos!
Pela primeira vez este ano, decidi escrever uma publicação para o blog. Não sem um motivo maior – os The xx, uma das bandas indie mais populares desta década, lançaram o seu primeiro álbum em quase 5 anos, intitulado I See You.
Apesar de ainda não serem detentores de uma extensa carreira, a banda em pouco tempo encontrou o seu nicho de ouvintes dentro do cenário alternativo bem como a adoração por parte da crítica – o seu álbum de estreia, xx, lançado em 2009, foi universalmente aclamado, tendo ficado no top 10 dos melhores álbuns do ano segundo o Metacritic.
Em 2012 a banda regressou com o Coexist que, apesar de não ter agradado tanto como o seu trabalho de estreia, demonstrou ser um álbum sólido e envolvente.

Com I See You, a banda inglesa poderia ter optado pela mesma jogada dos seus dois álbuns anteriores e não se afastar da música indie ambiental. No entanto, isso não aconteceu de todo. I See You afasta-se do indie “excessivamente calmo” e evolui para o registo dream pop/indietrónica sem deixar para trás as pegadas de xx e Coexist.

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Sobre o álbum em si

Como já foi referido anteriormente, I See You representa uma evolução sonora na carreira dos The XX, distanciando-se do ambiente triste e melancólico dos trabalhos anteriores e apresentando um álbum muito mais animado, como se pode constatar logo a partir da faixa de introdução “Dangerous” – uma das melhores faixas do álbum e uma excelente escolha para o carro-chefe de I See You. O ponto mais interessante desta faixa é a presença de um certo ambiente anos 50 que contrasta com a influência indiepop.

Ao prosseguirmos, a atmosfera torna-se ainda mais interessante e animada. “Say Something Loving” é libertante e inspiradora, apesar de ligeiramente mais calma que a faixa de abertura. “Lips” – possivelmente a melhor faixa de todo o álbum- afasta-se um pouco do registo ligeiramente mais calmo da anterior e brinca mais com a música eletrónica e com a acapella, mantendo aquele seu “quê” de anos 50. O resultado é uma faixa simplesmente majestosa e encantadora que dá vontade de repetir!

“A Violent Noise” é o divisor de águas entre o ambiente animado que nos foi apresentado até aqui e o ambiente mais calmo que entrará em cena na faixa seguinte. A batida eletrónica hipnotizante contrasta com os vocais suaves, pretendendo ser de facto um som violento que faz desta faixa outro grande destaque do álbum.
Em “Performance” a eletrónica é colocada em segundo plano e a atmosfera aproxima-se do registo mais calmo dos trabalhos anteriores – a presença de violinos “gritantes” e do violoncelo corroboram para um ambiente melancólico e sombrio que, apesar de ser quebrado em “Replica”, depressa regressa em “Brave For You” mas de forma muito mais suave já com influência da indietrónica.

Perto da curva final espera-nos uma grande surpresa em “Hold On”, uma faixa dance alternativa- possivelmente a mais acessível de todo o catálogo da banda- que depressa se torna um dos destaques do álbum por boas razões.
“I Dare You” é também ela outro divisor de águas antes da entrada para o momento final de I See You. Não se afastando muito da vibe dançante de “Hold On”, esta é outra faixa que dá vontade de repetir assim que acaba!
Em último lugar temos “Test Me”, que disputa com “Performance” pelo primeiro lugar no quesito de momento mais sombrio de I See You, mas em vez de violinos e violoncelos, a eletrónica é a arma final que encerra o álbum de uma forma bastante melancólica e hipnotizante ao mesmo tempo.

 

Notas finais

O mais interessante de I See You, quando comparado com os trabalhos anteriores, é precisamente o registo mais animado predominante na maioria das faixas. No entanto, outro ponto positivo deste álbum são também as suas influências, mais ecléticas e positivistas. Para além disto, temos a sensação de que somos transportados para um ambiente estilo anos 50/60, principalmente nos momentos de arranque do álbum como “Dangerous”, “Say Something Loving” e “Lips”, sem deixar para trás o tom modernista típico do indie/dream pop – este contraste ambiental, que encontra em I See You um ponto de equilíbrio excelente, não dura muito tempo, infelizmente.
Apesar da curta duração desta mistura sonora, I See You é, tal como os trabalhos anteriores da banda, uma obra de arte sólida e bastante interessante que ousa em explorar novos territórios sem deixar para trás as suas origens.

Com este lançamento, os The xx presentearam-nos com o seu álbum mais eclético e acessível até ao momento.

Nota final: 7,7/10

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