10 comebacks que não deram muito certo – parte 1

Olá a todos!

Como já não escrevia aqui nada há algum tempo, diga-se desde que o novo álbum dos The xx saiu, decidi escrever algo que tem as suas parecenças com uma tag mas que não é necessariamente uma tag.
Sabem aqueles planos que têm tudo para dar certo mas que acabam por não correr como esperado? Aqui vão 10 álbuns que foram inicialmente vistos como responsáveis para o regresso triunfante de alguns artistas, mas que no final acabaram por se revelar apenas mais uma pedra no sapato do que propriamente uma vitória limpa.

Vale a pena notar que esta lista foi feita de acordo com a minha visão e o meu veredicto acerca da qualidade final do álbum, que algumas vezes coincide com a opinião da crítica acerca do material em questão. Não significa necessariamente que eu não goste do artista em questão, ou do álbum, mas que pelo menos esperava(mos) um pouco mais.
Outro ponto importante a destacar é que esta lista não tem propriamente uma ordem, prioridade ou “índice de gravidade” por assim dizer.

 

Alanis Morissette – Havoc and Bright Lights

Comecemos esta lista com um dos meus álbuns preferidos de uma das cantoras mais marcantes para mim, Alanis Morissette. Havoc and Bright Lights foi lançado em 2012, quatro anos depois de Flavours Of Entanglement – aquele que pessoalmente acho um dos mais fracos da sua carreira.
Após uma pausa relativamente extensa, Alanis precisava de voltar com um álbum impactante, consistente, capaz de captar a atenção dos fãs e da crítica. No entanto, este álbum revelou ser uma pequena desilusão, tanto para os fãs, como para os críticos. Apesar da boa escolha no lead-single, “Guardian”, a ausência de promoção, especialmente das faixas mais fortes do álbum, fizeram com que este saísse do top 40 mundial na quinta semana após o lançamento.
Em termos de receção crítica, Havoc And Bright Lights foi recebido com críticas mistas – alguns elogiaram a nova direção artística, as letras e o uso mais equilibrado da eletrónica, enquanto que outros atacaram o excesso de edição nos vocais e do próprio instrumental, fazendo com que estes soassem demasiado artificiais e sem emoção.

Apesar de tudo, Havoc And Bright Lights tem as suas faixas marcantes que valem a pena ser incluídas nas nossas playlists como “Numb” ou “Woman Down”

 

Lady Gaga – ARTPOP

Este é outro álbum que coloco nesta lista com muita pena.
ARTPOP pode ser definido como uma coletânea de engasgos e más decisões atrás de más decisões, desde quase o seu surgimento até aos últimos momentos de promoção. Apesar do conceito interessante de ser um “álbum aplicação” (à semelhança de Biophilia da cantora Björk ou de Magna Carta de Jay-Z) e do relativo sucesso do lead-single, “Applause”, ARTPOP não conseguiu captar a mesma emoção ou causar o mesmo impacto que Born This Way, tanto em termos temáticos, uma vez que não é um álbum de teor político, como em termos de receção da crítica especializada.

Apesar do desempenho abaixo do esperado do lead-single, um segundo single, “Venus” estava a ser preparado para o lançamento antes de ser descartado a favor de “Do What U Want”. Mais complicações surgiram quando o vídeo de “Do What U Want” foi descartado, o que impossibilitou que a faixa fosse transmitida na televisão (querendo ou não, ainda é um motor de promoção forte) e esta passou a ser encarada como apenas promo-single, à semelhança de “Venus”, que não chegou a ter quase tempo de antena.
Aparte das complicações e posterior corte de relações com o empresário Troy Carter um terceiro single, “G.U.Y”, surgiu, mas revelou ser um verdadeiro flop apesar do enorme projeto visual, que consistiu num vídeo de 12 minutos de duração muito bem produzido no qual as músicas “G.U.Y”, “Venus” e “ARTPOP” também fizeram parte. No final de contas, o álbum não teve praticamente tempo sequer para brilhar.

Anos mais tarde, ARTPOP é lembrado como aquela que provavelmente é a maior pedra na carreira de Lady Gaga. Uma pedra pesada o suficiente para que esta se afastasse do cenário meramente comercial e apostasse numa imagem mais minimalista em Cheek To Cheek e no seu novo álbum de originais Joanne.

 

Björk – Volta

Antes de mais nada, Volta não é um mau álbum, mas também não é a obra-prima de Björk. Apesar de Björk geralmente lançar novos álbuns após intervalos relativamente extensos, raras são as ocasiões em que podemos dizer que a cantora entrou num estado “latente” para que se possa falar em comeback, curiosamente este foi o caso.

O álbum anterior, Medúlla, foi até então o seu projeto mais desinibido, consistindo quase exclusivamente em vocais sobre-processados, com beatbox, canto gutural entre outras técnicas vocais ousadas à mistura. Uma vez que seria humanamente impossível reproduzir ao vivo toda esta diversidade de forma idêntica à versão do álbum e evitar possíveis problemas técnicos como excesso de reverberação das ondas sonoras, a cantora não embarcou em qualquer tour para promover Medúlla – caso raro quando se fala de Björk.

Em 2007, a expectativa em torno do Volta era grande, provavelmente a maior desde o lançamento de Post, em 1995. Björk havia dito em entrevistas que este álbum seria um álbum pop (para surpresa de todos) e Timbaland, pasmem, um dos produtores deste projeto, havia dito que o álbum teria hip hop, afirmação mais tarde desmentida pela cantora. Para além disto, a própria editora havia dito que este seria o seu álbum mais comercial e acessível de sempre – afirmação também essa contestada pela mesma, que não considerou Volta nem mais nem menos comercial que álbuns anteriores.

O resultado final foi um álbum pop de facto, mas pop progressivo de influências africanas, misturada com eletrónica (industrial inclusive) e pop/rock barroco.
Pode parecer uma mistura estranha, mas foi uma mistura que resultou relativamente bem. No entanto, ficou aquém de tudo o que Björk lançou desde Homogenic, sendo este até um dos poucos álbum não criticamente aclamados do seu catálogo.

Resumindo, Volta não revelou ser tão impactante como Homogenic, delicado como Vespertine ou audacioso como Medúlla, mas conseguiu ser até hoje o álbum mais político da cantora, tendo compensado todas as “falhas” anteriores com a Volta Tour, que inclusive resultou na sua proibição de pisar solo chinês.

 

Britney Spears – Blackout

Também lançado em 2007, Blackout trazia consigo o enorme peso da missão de salvar a imagem de Britney Spears da ravina em que se encontrava.

Desde 2004 que a sobre-exposição da vida pessoal da cantora, em conjunto com outros deslizes cometidos pela mesma, resultou, com o passar dos anos, na corrosão do nome de Spears. Britney deixou de ser sinónimo de grandes vendas e passou a ser sinónimo de escândalos e polémicas.
Blackout foi lançado com a proposta de reverter esta situação, chegando até a usar toda a situação dramática de Britney como objeto de entretenimento em faixas como “Gimme More” ou “Piece Of Me”.

Tudo isto pareceu bom no papel, mas a famigerada performance dos VMA desse ano demonstrou que Britney ainda não estava de todo pronta para lutar contra todo o reboliço causado em torno de si, apresentando-nos uma performance no máximo medíocre.
Tanto em termos comerciais como de receção pela crítica, Blackout ficou aquém das expectativas. Coube a Circus, o álbum seguinte de Britney, o trabalho sujo de limpar de forma final a imagem da cantora – que o conseguiu com muito mais sucesso.

 

Marilyn Manson – Born Villain

Born Villain foi lançado três anos depois de High End Of Low, um momento diga-se conturbado para Manson devido a problemas com a editora, a qual o cantor afirmou não dar  liberdade artística à banda em troca de vendas mais elevadas, ou seja, maior lucro.

Depois de sair da Interscope, o nome de Manson entrou em coma no cenário mainstream – algo que o próprio admitiu. Para evitar mais problemas com a antiga editora, Born Villain foi lançado sob o selo da Cooking Vinyl bem como da sua própria editora, Hell.
Pouco antes do lançamento do álbum, Marilyn havia dito que este seria o melhor álbum da banda até à data, contendo também algumas das faixas mais pesadas já lançadas pelos outrora conhecidos também como The Spooky Kids.

Começando pelo lead-single, que não surpreendeu em quase nenhum aspeto a não ser pelo vídeo em si, este não causou o mesmo buzz que singles anteriores lançados por Manson, isto para não falar de potências hit singles que foram completamente menosprezados. Partindo para o álbum, de facto este contém uma ou duas peças relativamente pesadas mas que em nada se comparam com o que ouvimos em Antichrist Superstar, mesmo em termos de consistência e qualidade final. Provavelmente a melhor faixa aproveitada deste álbum seja “Overneath The Path Of Misery”, que infelizmente quase não foi promovida.

No final de contas, Born Villain não é de todo um mau álbum, mas esta longe de merecer o título de melhor álbum de Marilyn Manson como a banda pintou, faltando um pouco de consistência e experimentalismo típico das obras passadas. Ao menos podemos dizer que em termos de ousadia, Manson ainda tinha muita guardada dentro de si.

 

A segunda parte pode ser lida aqui!

 

 

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