Review de Do=S de Diogo Piçarra

Vencedor da edição de 2012 do Ídolos, mas com uma história muito longa antes da sua primeira aparição em televisão portuguesa, Diogo Piçarra depressa se tornou num dos cantores mais peculiares da cultura pop portuguesa, movendo massas onde quer que aparecesse e construindo uma base de seguidores fiel que sempre o apoiou e rapidamente captou a atenção de vários produtores de peso do mercado musical.

O seu primeiro álbum, Espelho, foi um sucesso comercial tanto a curto como a longo prazo, estreando na primeira posição em várias plataformas a nível nacional, gerando singles que tiveram imenso tempo de antena, em especial “Tu E Eu” que se tornou num verdadeiro smash hit. Mais tarde o álbum foi reeditado, voltando a ganhar destaque nas tabelas nacionais, assegurando que a presença de Piçarra não deixaria de se fazer sentir enquanto um segundo álbum não chegaria às montras – uma tática comercialmente esperta que trouxe consigo bons resultados.

Assim, dois anos depois de lançar Espelho, Diogo Piçarra não esta propriamente de volta – já que ele nunca se afastou – mas veio dar-nos mais um motivo para continuarmos do lado dele.

Sobre o álbum em si

Do=s é o resultado da colaboração de Piçarra com uma série de produtores com enorme sensibilidade e visão do mercado pop ao nível nacional e mesmo internacional. Piçarra não se preocupou em colocar nas estantes um álbum com um grande número de faixas, que poderia levar à saturação da experiência apreciativa enquanto ouvintes, mas sim em produzir algo de curta duração e cativante ao mesmo tempo.

Do=s arranca com “Dois”, na qual já nos é apresentado um Diogo Piçarra ligeiramente diferente daquele que nos foi habituado. Vemos aqui um eu lírico mais frontal, sem filtros na mensagem que pretende transmitir, mas com muito mais filtros na edição vocal do que o habitual. Em segundo lugar temos a já conhecida “Dialeto”, que marca o arranque a sério deste álbum num ambiente pop urbano de influências synth e africanas- uma tendência recorrente do cenário da música pop a nível internacional.

Também já conhecida pelo público, “História” traz de volta o Diogo Piçarra que inicialmente se tornou conhecido pelo público sem se desligar completamente desta sua nova imagem mais atual e produzida. “Já Não Falamos” destaca-se como uma das faixas mais dançáveis de todo o álbum, dando continuidade à sonoridade apresentada anteriormente e marcando o fim da história emocional apresentada na faixa anterior. Já em “Caminho”, Piçarra relembra de uma ligação sentimental passada que entretanto terminou, levando consigo os planos de uma futura vida a dois. “Caminho” resume-se ao saudosismo e incapacidade do eu lírico em esquecer um relacionamento passado.

“Ponto De Partida” destaca-se como uma das melhores, se não a melhor faixa de todo o álbum, com a colaboração de Valas – que não se revelou como um elemento marginal que poderia quebrar a dinâmica desta maravilhosa faixa. Em “Ponto De Partida” o eu lírico já começa a reconstruir a sua vida emocional com outra pessoa, sendo que em “Erro” é dado destaque ao lado carnal dessa nova relação.

Os problemas emocionais, se bem que aqui parecem surgir sem um motivo aparente, voltam a dar sinais em “Não Sou Eu”, antepenúltima faixa de Do=s com a colaboração de April Ivy, que marca o regresso do ritmo dançante antes deste ser quebrado em “Só Existo Contigo”- uma das faixas mais minimalistas e românticas do álbum que prioriza o trip hop e coloca a eletrónica estridente de lado por uns momentos.
Para finalizar temos “200”, funcionando em conjunto com o drum n’ bass como um abre-olhos para a necessidade de esquecer o passado para que se possa construir um futuro, mas sem antes o confrontar.

Considerações finais

Do=s marca um ligeiro afastamento do som mais natural e ligeiramente minimalista de Espelho, sem perder no entanto a sua essência. Ao contrário do trabalho anterior, é notória a grande edição feita nos vocais de Piçarra, que não soam tão naturais como antes mas que ao mesmo tempo não prejudicam o resultado final.
Ao produzir um álbum com apenas 10 faixas e pouco mais de meia hora de duração, Piçarra soube selecionar o conjunto ideal de faixas para que Do=s não se tornasse demasiado aborrecido ou repetitivo.

Para além disto, vale a pena destacar a presença de uma história que se vai desenrolando ao longo do álbum e que nos é apresentada de forma subtil mas que ao mesmo tempo, a certo ponto, pode tornar-se ligeiramente confusa uma vez que não temos certeza se o eu lírico se arrependeu definitivamente do seu primeiro relacionamento – mesmo tendo avançado com um segundo – ou se continua a nutrir qualquer tipo de sentimento com a pessoa em questão.

É também claramente notável, tanto pela produção como pela duração e tudo mais, que Do=s é um álbum apresentado tendo em conta os condicionalismos e toda a realidade da indústria musical atual. Praticamente todas as faixas aqui apresentadas desempenhariam um excelente papel enquanto buzz singles nas principais rádios nacionais, que por sua vez serviriam como convite à Do=s Tour que deverá ter lugar dentro de poucos meses.

Sendo assim, Do=s pouco mais serve do que como um aviso de que em breve Diogo Piçarra voltará aos palcos e, dependendo do sucesso deste trabalho, uma nova edição do álbum será apresentada a tempo do Natal.

NOTA FINAL: 7.9/10

 

 

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