Hasta la vista, Windows Vista

A passada semana foi aquela em que discreta e friamente, sem que quase ninguém desse conta, o Windows Vista deu o seu último suspiro antes de ser definitivamente descontinuado, pouco mais de 10 anos depois de ter sido lançado.
Tendo em conta a minha experiência pessoal com este sistema operativo, que aparentemente foi melhor do que a de muitas outras pessoas, este texto vai ser uma espécie de ode ao Windows mais bonito alguma vez lançado – e um dos mais maltratados e desvalorizados.

Antes do Vista

Achei eu, por bem, que valeria a pena relembrarmos o que aconteceu antes do Vista e que, certamente, explica a razão de a Microsoft ter entrado numa maré de azar com este sistema operativo.

Pouco antes de lançar o Windows XP, em outubro de 2001, a Microsoft começou já a trabalhar nas bases do seu próximo sistema operativo que deveria ser lançado algures entre 2004 e 2005, tendo dado o nome código de Longhorn (sim, corno longo) àquela que seria a versão sucessora do Windows XP.
A certa altura, já em 2004, uma série de complicações começaram a surgir e a empresa perdeu o foco do seu objetivo e daquilo que realmente queria que o Vista fosse – o código do sistema estava excessivamente pesado, funcionalidades foram descartadas, interfaces arrumadas num canto, etc. No final de contas, a confusão foi tão grande que a Microsoft, como forma de manter vivo o interesse das fabricantes de computadores, decidiu reiniciar todo o processo de desenvolvimento do Vista – sem dar qualquer declaração pública na altura – e em 2005 foi anunciada que uma nova versão do Windows estaria já a ser preparada e no ano seguinte deveria ver a luz do dia. A partir de 2005, o nome Vista já era dado como oficial e a expectativa era elevada. Afinal de contas, tendo em conta o prazo excessivamente longo, seria natural pensar que a razão de tantos adiamentos seria que algo grandioso estaria a caminho. Mal se sabia o grandioso fracasso que os esperava.

Para termos uma pequena noção de como as coisas começaram a descarrilar a certo momento, este é um print da build mais conhecida do Longhorn, lançada no final de abril de 2004:

Bonito, não é?

Aqui temos um da build 4093, lançada no dia 19 de agosto de 2004…

Hmm, okay!

… Poucas horas depois, reinicia-se todo o projeto e temos isto, que supostamente surgiu do código do Windows Server 2003:

 

A reação do mercado

Apesar de todas as complicações, tudo no inicio pareceu andar dentro dos eixos. O Vista bateu o recorde de maior número de vendas de um sistema operativo na altura, 20 milhões no primeiro mês, o que correspondeu a quase o dobro das vendas do Windows XP no mesmo período de tempo. Para além das boas vendas iniciais, houve uma intensa campanha de marketing por parte da Microsoft, até ao nível empresarial, de forma a tentar convencer o maior número de pessoas a adotar o novo sistema – a maioria dos supostos estudos encomendados pela empresa favoreciam os ratings do Vista se comparados com os do XP, por motivos óbvios.
No entanto, havia algo que a Microsoft não conseguiu prever e que, durante alguns anos, demonstrou ser tendência de mercado até ao início da comerciaçização dos tablets – o surgimento dos computadores extra-portáteis (Magalhães, produção?) que não estavam preparados para aguentar o peso de uma baleia como o Windows Vista, mesmo nas versões mais básicas.
Não bastou o inesperado sucesso destes pequenos computadores, a Microsoft também não teve capacidade de pensar nos utilizadores que ainda possuíam hardware mais antigo e que estariam destinados a permanecer no Windows XP, a menos que fizessem um upgrade no hardware.
Acrescentemos ainda a espécie de boicote ao Vista praticado até pelas próprias fabricantes de computadores, que não seguiram nada mais do que os pedidos dos clientes em dar a possibilidade de fazer o downgrade para o XP.

As dificuldades na produção do sistema, os constantes recuos e avanços, linhas de código mal acabadas e tudo mais refletiram-se também na qualidade final do Vista. Inicialmente, era um sistema muito lento, cheio de erros e incompatível com softwares pré-2007. Todos sabemos no que isto iria resultar…

O “sucesso” a longo-prazo do Vista foi tão grande que, até 2008, ainda era possível encontrar cópias físicas do XP nas prateleiras e os preços de todas as edições do Vista sofreram uma baixa nos principais mercados a nível mundial. Mesmo com esta baixa, o Vista demonstrou não ser muito mais do que um fracasso digno de um “wow” bem prolongado e de enorme pesar…

Evolução posterior

A verdade é que, apesar do enorme desleixo que vitimizou o Vista aquando o seu lançamento, a Microsoft pareceu realmente aperceber-se da razão de tanta crítica e repúdio a este lindo, mas falho, sistema. O lançamento do primeiro Service Pack trouxe consigo uma série de melhorias tanto em termos de estabilidade como desempenho, mas nem todas as melhorias feitas ao longo dos tempos foram suficientes para mudar o mau olhado, que tanto o público como o meio empresarial, se fartaram de lançar. A partir de 2009, o Vista deixou de gatinhar e começou a caminhar e pouco tempo depois a diferença de desempenho quando comparado com o Windows 7 era relativamente baixa.

Apesar do crescimento contínuo até atingir o seu pico máximo de 25% de market share, em Outubro de 2009 aquando o lançamento do Windows 7, o nome Vista estaria para sempre marcado como sendo um dos maiores flops do mundo da tecnologia, e só em 2012 a Microsoft conseguiria repetir semelhante proeza (ou pior ainda) com o Windows 8.

 

Possível legenda: “Já deu amor, o Vista já era não importa o quanto melhore”

 

 

Ainda assim nem tudo foi mau. O kernel, e muitas funcionalidades do Vista foram aproveitadas e melhoradas para o lançamento do 7, que foi descrito por algumas fontes da imprensa como “aquilo que o Vista deveria ter sido”. Pequenos detalhes como o Aero, funcionalidades de pesquisa, os Gadgets, filtro SmartScreen, o UAC entre outros foram mantidos na versão posterior do Windows, passando primeiro por uma série de melhorias.

Depois destes anos todos, hasta la Vista.

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