10 comebacks que não deram muito certo – parte 2

Esta é a segunda parte de um post que decidi dividir em duas partes, de forma a não ficar demasiado extenso. Vê aqui a primeira parte.

Depois de uma primeira parte sofrida, aqui vai a segunda parte da lista de 10 comebacks que poderiam ter sido melhores. Mais uma vez relembro que esta lista não se baseia exclusivamente em vendas ou opinião da crítica mas sim da minha opinião pessoal, que por vezes coincide com a da crítica ou reflete-se nas vendas do álbum.

Screaming Trees – Dust

Este é mais um álbum que coloco nesta lista com muito pesar…
Screaming Trees foram uma banda de vários estilos, todos eles dentro do rock, oscilando entre o neo-psicadélico e o hard, passando por influências de blues e grunge. Apesar de serem considerados como um dos primeiros grupos a definir o grunge enquanto género músical dentro do hard rock, servindo como inspiração para grandes nomes como Nirvana ou Soundgarden, estas árvores nunca chegaram a gritar no cenário mainstream da mesma forma que os seus companheiros pertencentes ao mesmo movimento.

Um dos poucos momentos em que a banda foi alvo de algum reconhecimento pelo mainstream foi no final de 1992 com o single “Nearly Lost You”, que havia sido incluído na banda sonora do filme Singles. À custa deste single, Sweet Oblivion, álbum do qual esta faixa faz parte, vendeu mais de 300 mil cópias nos Estados Unidos – um número excecionalmente elevado para uma banda underground como os Screaming Trees.

dust

Depois disto, um álbum sucessor começou a ser trabalhado mas, devido a problemas entre os membros da banda – para não variar – foi descartado e quatro longos anos se passaram até que surgiu Dust.
Apesar de ser, provavelmente, o melhor álbum da banda, e um dos mais consistentes e universalmente aclamados sem qualquer dúvida, os quatro anos de espera revelaram-se fatais para os Trees, que não foram capazes de aproveitar o pequeno momento de fama a seu favor, regressando em cena quando o grunge havia deixado de ser a mesma força dos anos anteriores. Dust não teve praticamente nenhum single que chegasse ao mesmo nível de “Nearly Lost You” mas ainda assim “All I Know” conseguiu algum momento de antena nas rádios alternativas.
Cinco anos depois, os Screaming Trees anunciaram a sua separação, deixando consigo uma série de demos que só em 2011 veriam a luz do dia.

Nelly Furtado – The Spirit Indestructible

The Spirit Indestructible sofreu de um grande mal chamado falta de promoção. À semelhança de Dust, The Spirit Indestructible não é raso, mas tanto a editora como a própria Nelly Furtado não aproveitaram bem as joias presentes nesta obra de arte.
A escolha do lead single não foi a melhor, “Big Hoops” é uma faixa hiphop/pop urbano que de facto remou contra a corrente electrodance que estava na moda na altura. Remar contra a corrente sempre foi hábito de Nelly mas, ao contrário do que aconteceu com os lead singles anteriores, o mercado ainda não havia atingido o ponto de saturação necessário para que algo diferente como “Big Hoops” tivesse oportunidade de brilhar – talvez se o single tivesse sido lançado no início de 2016 ou no final de 2015 a história teria sido outra.
Ainda assim “Big Hoops” conseguiu entrar no top 10 do Reino Unido e chegou à marca de ouro em alguns países, mas em termos comerciais The Spirit Indestructible ficou-se por aqui.

Nenhum dos quatro singles posteriores conseguiu uma posição de destaque nas tabelas musicais, à exceção de “Waiting For The Night” que fez bastante sucesso na Rússia e sucesso moderado na Alemanha. Junto com a performance medíocre de “Big Hoops”, o próprio álbum acabou por entrar numa espiral negativa que culminou com o mesmo a vender apenas 33 mil cópias físicas mundialmente na sua semana de estreia e cerca de 250 mil após alguns meses, fora a própria tour que não acrescentou muito às vendas do álbum.

Ficamos assim com uma preciosidade que foi plenamente desperdiçada e que poderia ter gerado um buzz comercial semelhante ao publicamente aclamado Loose.

Vanessa Carlton – Harmonium

Não há muito que eu possa dizer sobre este álbum, da mesma forma que não há muito que este tenha para oferecer. Harmonium é o segundo álbum da então estrela em ascensão Vanessa Carlton – autora e intérprete de uma das músicas pop mais icónicas e memoráveis do novo milénio “A Thousand Miles”.
Decidi colocar este álbum na categoria de comeback uma vez que, apesar de ter gerado um autêntico smash hit com o seu primeiro álbum, os singles seguintes não tiveram um desempenho tão favorável e colocaram o nome de Carlton em “lista de espera” para um regresso grandioso – que ficaria a cargo de Harmonium. Acontece que este álbum falha redondamente em apresentar-nos um material consistente, variado e que não cansa depressa o ouvinte. Esta faceta linear e rasa de Carlton, que tentou parecer mais adulta mas demonstrou ser demasiado infantil, refletiu-se na receção crítica e, infelizmente, nas vendas.
Há no entanto um importante ponto a destacar, que veio acrescentar lenha numa fogueira feita à custa de flores artificiais – que é o que este álbum soa – que é o facto de a MTV ter boicotado o lead-single da cantora com a irónica desculpa de que o conteúdo lírico era inapropriado para o canal. Claro…

Apesar de nos entregar um álbum estilo “Querido Diário” repleto de flores artificiais digno de uma nota 4/10, há uma autêntica joia neste álbum que facilmente entraria na lista das “melhores faixas não-single de todos os tempos”. Eis “She Floats”:

Christina Aguilera – Bionic

Este é um caso agridoce. Bionic foi o primeiro álbum de Aguilera após uma pausa de quatro anos que se seguiu ao lançamento de Back To Basics – aquele que é provavelmente o melhor e mais distinto trabalho da cantora. Ao contrário do último, Bionic não apostou nos “básicos” do pop e partiu para um som assente na eletrónica mais pesada, de forte influência synthpop e dancepop inspirado em sons dos anos 80 e 90.

Apesar de conter excelentes faixas, como a introdutória “Bionic”, “Elastic Love” ou a divertida “Woohoo”, que não consegue competir em termos de estupidez consentida com “Vanity” ou “Bobblehead”, Bionic tenta juntar dois mundos totalmente opostos – a eletrónica pesada com um som mais intimista, que infelizmente acaba meio perdido no meio da densa atmosfera robótica, resultando num álbum pouco consistente e nada homogéneo. O problema de Bionic não é de todo a sua heterogeneidade, mas sim a sua inconsistência em encontrar um ponto de orientação em certos momentos. Faixas como “I Hate Boys”, e todas as seguintes até ao final do álbum, parecem fora do lugar uma vez que a grande maioria dos momentos de dance/eletrónica encontram-se na primeira e segunda partes de Bionic, dando a sensação que o álbum se torna cada vez mais intimista conforme vamos avançando – até que subitamente a eletrónica volta a ganhar destaque.

Para além disto, não vale a pena falar muito sobre o desempenho comercial deste álbum, que rapidamente afundou nas tabelas comerciais apesar de alguma promoção.

Melanie C – Version Of Me

Antes de ouvir este álbum confesso que as minhas expectativas não eram propriamente baixas uma vez que sempre simpatizei com o som de Melanie C, tanto em termos de instrumentais como também pelo timbre da cantora, mas Version Of Me só pode ser definido com a palavra “desilusão”.
Após apresentar um excelente lead-single, “Anymore”, que inclusive eu considerei uma das melhores faixas de 2016, este álbum revelou-se incapaz de apresentar mais material que se aproximassem da qualidade sonora do lead-single . O resultado final sabe a um prato com os ingredientes ideais, mas mal confecionado.
Mesmo no meio de todo este plástico, encontramos bons momentos para além de “Anymore” como “Dear Life”, faixa introdutória, ou “Room For Love”.
O mais desconcertante é o facto de que este álbum tem dentro de si imensos conceitos interessantes, mas que foram completamente arruinados pela produção genérica e rasa como o caso de “Numb” ou mesmo de “Room For Love”, que apesar de ser um dos momentos altos de Version Of Me, poderia ter sido melhor produzida em vez de se limitar apenas mais uma faixa “em construção” de um álbum que tinha tudo para ser um dos melhores de 2016 mas que acabou por ser apenas mais um digno de nota 5.5/10.

 

E assim termina este post. Muito obrigado se leste até aqui e até uma próxima!

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