Incansável e violento, eis Resurrect

Resurrect surge pelas mentes dos In Vein, uma banda portuguesa que conta com António Rocha nos vocais, André Almeida e Paulo Monteiro nas guitarras, João Costa no baixo e Luís Moreira na bateria.
Para material de estreia, Resurrect já pretende demonstrar na arte frontal do álbum o seu lado pesado, apocalíptico e, podemos dizer, relativamente futurista e urbanizado dentro do cenário do metal alternativo.

Sobre o álbum em si

Resurrect conta com 9 faixas que somam ao todo 39 minutos de adrenalina e agressividade incansáveis que começam com “Digging The Grave” – a faixa mais pequena de todo o álbum que serve apenas como uma pequena introdução ao que nos espera de seguida. Não nos é apresentado material musical propriamente dito, apenas uma sequência sonora que coloca o ouvinte no papel de criar a parte iconográfica mental com base naquilo que se ouve no momento.
A partir do momento em que ouvimos aquilo que parece ser uma pá a escavar e os sinos a tocar, Resurrect já nos mostra o seu lado mais interessante, que poderia ser até aplicado noutras obras como jogos de terror ou histórias visuais. Cabe a cada ouvinte criar a sua própria introdução a partir daqui.

Depois desta curta, mas excitante, introdução, o que se segue pode ser resumido como uma série de minutos com bastante agressividade vocal e instrumental – por vezes a níveis que podemos definir como extremos. Resurrect brinca orgulhosamente com o “inaudível” para a grande maioria dos que ouvem música, mistura batidas extremamente aceleradas a certos momentos e, de vez em quando, alterna com batidas um pouco mais lentas mas sem perder todo o poder que seria de esperar de um álbum de groove/speed/brutal metal.
“Paranoia”, a primeira faixa musical do álbum, demonstra tudo isto de forma bastante concisa.

Já “Tortured Pleasure”, provavelmente o ponto máximo de Resurrect, encontra um dos melhores pontos de equilíbrio entre os excelentes acordes das guitarras e a batida não excessivamente produzida da bateria. Uma verdadeira descarga de adrenalina que ficará na memória para os amantes deste tipo de música.

A certa altura ouve-se algo que parece soar “You’ll destroy youself” – aqui Resurrect dá-nos uma pequena pista do que parece acontecer nas faixas seguintes do álbum em termos criativos. Temos a sensação de que a criatividade parece ser colocada de lado e a única prioridade torna-se simplesmente o tentar a todo o custo mostrar um lado agressivo que deixa de ser, de todo, surpreendente.
Ainda assim temos mais momentos de verdadeira glória como “Slaves Of God”, que apresenta uma hipnotizante introdução para depois dar lugar a mais uma série de minutos de fúria, desta vez com mais pausas e variações rítmicas – se é que se pode dizer que existe sequer um minuto de pausa em Resurrect – fora os vocais realmente impressionantes no final.

Um pouco mais tarde nesta tormentosa viagem, “Infinite Night” entra em cena como o ponto alto da segunda metade do álbum. Em termos de batida, esta é a faixa mais interessante de Resurrect, colocando de lado a sensação de auto-repetição ou auto-mutilação desta obra, demonstrando que ainda existem ideias realmente originais escondidas na mente dos In Vein que querem desesperadamente ter o seu momento de protagonismo.

Na curva final do álbum temos “Hallucinatory”, “Smash The Wall” e “Satan”. A primeira destaca-se pelos vocais claros, no sentido em que pelo menos no refrão a letra é facilmente decifrável quando comparada com a maioria das faixas, pela boa batida e pelo excelente desempenho das guitarras. Já “Satan” finaliza Resurrect com a mesma fórmula agressiva combinada com uma batida que tenta ter o seu protagonismo mas que se perde a certa altura no processo.
E assim, sem quase darmos conta, terminamos o álbum.

Considerações finais

Resurrect é um desafio para aqueles que não estão habituados a música pesada. Somos constantemente perseguidos com ritmos fortíssimos e uma furiosa prestação vocal que estará presente nos nossos piores pesadelos, o que é de se louvar.
Os amantes de brutal/groove metal com certeza quererão dar uma oportunidade a este álbum e a esta banda, especialmente tendo em conta o facto de serem artistas nacionais – o que poderá surpreender aqueles que jamais imaginariam ser possível explorar as fronteiras sonoras com toda esta pujança em território nacional.

Nem tudo no álbum é um mar de rosas. A certa altura parecemos ser também perseguidos por uma fórmula previsível, que deixa de ser impactante após uma introdução excitante e algumas faixas. O violento já não nos choca. Os vocais, de certa forma distorcidos, tornam complicado decifrar o que esta a ser cantado de forma exata, o que, apesar de não ser um problema constante, pode ser um impasse para outros que queiram dar uma oportunidade a esta obra e ao que pretende transmitir – mesmo que seja apenas uma série de mensagens estilo “mata-te, não serves de nada”. Alternativamente, o culto do violentamente indecifrável, ou subjetividade verbal, pode ser visto como um dos objetivos de Resurrect. Talvez essa seja a sua verdadeira beleza.
Outro ponto que, apesar de não afetar de todo a qualidade final deste álbum, poderia acrescentar um último momento de suspense, é a ausência de uma outro que desse continuidade a uma intro que, podemos dizer, foi produto de muito esmero.

No final de contas, esta é uma viagem que vale a pena para aqueles que se aventurarem em terras apocalípticas e modernistas, especialmente com excelentes faixas como “Tortured Pleasure”, “Slaves Of God” e “Hallucinatory”. Será com certeza um dos álbuns mais pesados que irão ouvir em muito tempo.

NOTA FINAL: 6.9/10

 

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s