Katy Perry de mãos dadas com retro synthpop em Witness

Depois de lançar PRISM em 2013 – álbum que gerou vários smash hits como “Roar” e “Dark Horse” – Witness arranca onde o anterior parou.

 

Sexta-feira geralmente significa música nova, e no cenário pop os olhos pareciam virar para o novo lançamento de Katy Perry – o primeiro em quatro anos – que já nos tinha aberto o apetite com o lead-single “Chained To The Rhythm” e as duas outras faixas, “Bon Appétit” e “Swish Swish”, posteriormente lançadas, sendo esta última encarada mais como um promo ou buzz single do que um single na sua formalidade.

Witness conta com um número relativamente generoso de faixas. Quinze, contabilizando quase uma hora de duração que começam com a faixa do mesmo título do álbum.
Já aqui se percebe que não existe propriamente grandes novidades sonoras quando revisitamos todo o catálogo anterior da cantora. “Witness” soa a algo que não ficaria fora do lugar em PRISM e parece até pegar em alguns elementos sonoros desse álbum.
A testemunha de uma faceta mais séria e madura de Katy Perry pouco passa de algo superficial no meio de todo o bubblegum pop que nos é apresentado ao longo do álbum – ainda que haja alguns momentos em que Katy realmente parece tentar impor uma figura mais adulta do que a real.

“Hey Hey Hey” apresenta-se como algo que se perde facilmente e não acrescenta propriamente nenhum momento memorável em Witness – dispensável. Já “Roulette” destaca-se por ser o primeiro momento em que o synthpop é atirado com força em direção à pista de dança, transmitindo uma certa sensação nostálgica no meio de toda a atmosfera retro estilo A-ha com o seu famoso smash hit “Take On Me”, se bem que de uma forma mais lenta e suave.
De seguida entra aquele que é, provavelmente, o ponto máximo de Witness “Swish Swish”. O som retro continua presente neste ponto do álbum mas desta vez mais ao estilo “Big Time Sensuality” com referência à “Star 69” dos Fatboy Slim. “Déjà Vu” segue no mesmo estilo synth, dando continuidade ao que foi apresentado anteriormente.

Ao longo do álbum vamos dando conta que Katy parece ser uma mulher de várias facetas, algumas efetivamente interessantes mas outras aborrecidas e básicas como em “Mind Maze”, outras mais saudosistas como em “Miss You More” e outras meramente pop como no lead-single “Chained To The Rhythm”. Witness não é consistente em termos temáticos e tenta agradar tanto àqueles que imploravam por uma versão “adulta” de Katy mas com medo de perder a audiência jovem que se contenta com algo genérico ou repetitivo. Não é algo de todo muito problemático, pelo menos enquanto não questionarmos o porquê da venda de algo que à primeira vista parece adulto mas que no seu interior ainda é infantil.

Depois da boa onda que “Tsunami” nos apresenta, deparamos com mais outro momento baixo do álbum que é “Bon Appétit”. A ridicularização do sexo atinge um nível que pode ser descrito como cómico. A letra fala por si só.

“So you want some more
Well I’m open 24
Wanna keep you satisfied
Customer’s always right
Hope you’ve got some room
For the world’s best cherry pie
Gonna hit that sweet tooth, boy”

Fingindo que a letra não existe, Bon Appétit não é uma má faixa mas também não é inesquecível. A presença dos Migos também não salva a faixa, apenas reforça a quase anedota que esta é.

Já na reta final, Witness torna-se em algo mais maturo e calmo – apenas “Pendulum” quebra o clima calmo ao rematar com um refrão relativamente forte mas que facilmente se cansa de si mesmo, apesar de alguns elementos sonoros interessantes. O que nos é apresentado soa quase como uma roupa diferente de “Chained To The Rhythm”, o que a transforma em mais uma faixa dispensável deste álbum. Quando pensamos que “Pendulum” começa a perder-se, o final repentino parece confirmar que de facto Witness parece um pouco desconectado de si mesmo, sem um sentido de orientação que eleve este trabalho e um nível superior.

No momento final, “Into Me You See” prova-nos que o carácter multifacetado de Katy Perry ganha alguma personalidade na sua prestação vocal, que não se limita a soar a mais do mesmo e entrega-nos uma pequena surpresa num momento que parece já não haver mais nada que poderia salvar este trabalho de mais um final abrupto e descontextualizado.

Não é um mau álbum, mas…

Um dos maiores problemas de Witness é a sua inconsistência ou falta senso de orientação, algo que também esteve presente no álbum anterior, PRISM – se bem que desta vez a gravidade da situação não atingiu proporções catastróficas neste último.
Witness apresenta-se como uma série de canções synthpop misturadas com algumas baladas que de vez em quando parecem acertar na fórmula, como em “Into Me You See” ou “Miss You More” e ainda “Save As Draft”.
Tal como uma moeda, o álbum vai alternando entre os seus dois lados relativamente opostos – mais uma vez, de uma forma muito mais equilibrada que PRISM, que emprestou o sentido de orientação a uma bússola com os polos magnéticos trocados. Ainda que a cara desta moeda seja destacada como sendo um álbum concetual, a verdade é que tudo neste álbum pode ser qualquer coisa menos isso – é precisamente aqui que Witness demonstra a sua weakness.

Representando um avanço positivo em relação a PRISM, Witness não é um mau álbum, salvando até faixas como “Tsunami”, “Swish Swish”, “Chained To The Rhythm” e até a hilariante “Bon Appétit”, fora outras referidas nos parágrafos anteriores, mas também não é algo memorável. Com este para a coleção, Katy Perry demonstra que, tal como outros nomes da pop como Britney Spears, a sua vocação continua a ser os singles e os vídeos que os acompanham e este caso não é exceção, por muito que queiramos que tivesse sido.

NOTA FINAL: 5,2/10

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