Review: Puta Volcano voam alto em Harmony Of Spheres

Amantes do hard rock com certeza vão querer espreitar este álbum. Um registo obrigatório para quem simpatiza com o bom e velho grunge, aliado a uma atmosfera mística.

Puta Volcano é um nome que, por si só, já nos dá um cheirinho de todo o poder sonoro que esta banda grega nos apresenta.
Os alicerces para algo grandioso são as várias variantes do hard rock que os Volcano trabalham, relembrando Alice In Chains e outros nomes do género, combinando com a voz única e poderosa da vocalista Luna, sem esquecer claro todo o esmero dos restantes integrantes que, desde 2011, têm vindo a apresentar bom material como as faixas “Thirty Four” ou “Limp” – ambas do seu primeiro trabalho, Represent Victory Bellow Eye.

O seu novo álbum, Harmony Of Spheres, não se distancia muito do que foram produzindo desde 2011 até aos dias de hoje, mas há algo que o torna especial e, ao mesmo tempo, diferente das obras anteriores lançadas pela banda.
Harmony Of Spheres é uma verdadeira obra-prima, apesar de conter apenas 8 faixas, somando 34 minutos de duração na sua totalidade. Números que, podendo parecer demasiado pequenos, contrastam com a grandiosidade daquele que poderá ser um dos melhores álbuns hard rock da década.

Praticamente todas as faixas representam um ponto alto em Harmony Of Spheres.
“Dune” arranca com pujança, dando início a uma jornada majestosa em direção ao além.
À semelhança de Bulas para Dedos e Coração, Harmony Of Spheres é bastante complexo em termos líricos. A mensagem não é transmitida de forma superficial ou direta, mesmo na própria arte frontal do álbum que, como “Dune” sugere, é uma viagem por entre os pensamentos do eu lírico, que confronta o seu passado, luta pelo presente, sorrindo até quando é arremessado ao chão, e sonha num melhor futuro e na busca da sabedoria, numa jornada repleta de altos e baixos.

Em “Bird” a estrada dá lugar ao céu, à ambição e ao contraste entre os dias livres, em que a coruja voa alto e prospera por entre os raios de luz e esperança ainda frágeis, descendo a pique para os longos dias em que vive dentro da jaula, mantendo o espírito no alto dos céus e o foco na sensação de liberdade que sente quando voa.

Harmony Of Spheres esta repleto de mensagens metaforizadas, que combinam com o ambiente geral do álbum, desde a capa até ao aspeto sonoro. Puta Volcano colocam um dos elementos tipicamente gregos a seu favor – a mitologia. Apesar de não fazer referência, pelo menos de forma direta, a deuses gregos ou tradicionais mitos em si, cada verso da maioria das 8 faixas deste álbum conta com uma mensagem subliminar que só poderá ser entendida após escrutínio. A maioria das mensagens transmitidas por entre os versos desta obra são de busca de sabedoria, a escapatória de uma série de situações dramáticas e o encontro com a paz interior, num deserto em que a água é a esperança e o caminho a seguir é linear em direção ao infinito.

Algumas faixas, como “Jovian Winds”, “Afterglow” ou “Infinity” são mais acessíveis, não se escondendo por trás do uso desmedido de simbolismo e metáforas. A primeira, outro excelente destaque, arranca com uma intro no mínimo épica e desenrola-se sublimemente, versando uma mensagem de cópia dos costumes e maneiras de alguém visto como um modelo a seguir.
Já “Afterglow” compara a perseguição de um objetivo, tido como irrealizável, à explosão ocorrida numa das missões Apollo, possivelmente a décima terceira, cuja missão era aterrar na Lua mas que acabou por não se concretizar. O sonho aqui não se revelou mortífero, mas a queda não deixou de ser enorme.

“Take a hike on the moon
Hike on the moon
Chasing the sun
It will get darker soon
Seat belts loose helmets on
Apollo explodes
Cosmic junk coming through
Falling in fire and fume”

Para finalizar em grande, surge em cena “Infinity”, uma das mais fascinantes faixas de Harmony Of Spheres que representa tudo aquilo que este álbum versa, num ambiente misterioso que se acentua momentos antes do suspiro final. O eu lírico sente-se reduzido a algo ínfimo, um grão de pó no universo que vagueia em direção ao infinito sem possibilidade de voltar atrás.
Ao terminar, Harmony Of Spheres dá-nos a sensação de que na realidade o final é apenas um novo começo.

Uma obra grandiosa…

Ao longo do álbum deparamos com flashbacks a outras bandas como Screaming Trees, especialmente com o seu álbum Dust, ou Alice In Chains.
É, definitivamente, complicado descrever este álbum por palavras, desde as excelentes melodias às letras extraordinariamente complexas e repletas de misticismo, passando por todo o conceito que existe por trás da capa e dos títulos de cada faixa, sem esquecer a fantástica e hipnotizante voz de Luna, que encontra mais momentos de glória que nos trabalhos anteriores.

É uma obra grandiosa, candidata ao título de melhor álbum de 2017, sublime!

NOTA FINAL: 10/10

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